“Perdi as contas de quantas vezes fui deixado para trás. Pela pouca memória que ainda insiste em lembrar desse detalhe, foram inúmeras tentativas infalíveis de abandono. E digo Infalíveis porque elas realmente deram certo. Se tem uma coisa que mais presenciei nessa vida, foi pessoas indo embora. Sem direito a despedidas e coisas do tipo, simplesmente viraram as costas e partiram. Nunca entendi o motivo disso. Porque no início de toda relação, era maravilhoso e perfeito como num conto-de-fadas. Não que eu sonhasse com um final feliz e nem nada parecido, mas de repente todo encanto que um dia existiu ia por água a baixo. Sumia, evaporava como se nunca tivesse havido qualquer sentimento ali. Não sei se existe o termo desgostar-de-alguém, mas é assim que definiria o que acontecia com as pessoas logo em seguida, elas passavam por uma mudança radical e nem pareciam alguém legal e interessante com quem eu já havia trocado momentos intensos. E sinceramente, confesso que nunca tive nenhuma parcela de culpa por essas despedidas tão repentinas. No meio dessas situações, eu era um espelho que refletia tudo. Quando as pessoas me davam amor, eu retribuía da mesma forma. Me davam afeto, eu agia sendo carinhoso. Me passavam segurança, eu transmitia que estava protegido. Elas me faziam voar e eu gostava de altura… Apesar de sempre cortarem minhas asas.